Mente de Principiante

Tradução livre de Leonardo Balter para o Português de Beginner’s Mind, por Darren Henson – link: http://www.ironpalm.com/beginner.html

Um dos segredos mais profundos de aprender qualquer coisa do “zero” – ou como novo – está mantendo o que já foi chamado de “Mente de Principiante“.

O que é “Mente de Principiante“? Bem, uma parte é muito bem explicada por uma história Zen famosa conhecida como:

Esvazie seu copo

Um professor universitário foi visitar um famoso mestre Zen. Enquanto o mestre calmamente servia o chá, o professor falou sobre o Zen. O mestre encheu a xícara do visitante até a borda, e depois continuou a encher, derramando o chá. O professor observou que o copo transbordava até que não pôde mais se conter. “Já está cheio! Não cabe mais nada!” o professor deixou escapar. “Você é como esta xícara”, o mestre respondeu, “Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?”

Assim, para começar, todos nós devemos esvaziar nossas xícaras de todas as idéias preconcebidas, conceitos, técnicas e métodos que nos impedem de receber o novo. Isto parece uma coisa simples de fazer, mas pode ser bastante difícil na prática. No início pensamos que estamos a esvaziar nossas taças, mas conforme nós tomamos novos conhecimentos, detetamos o gosto residual do velho. Às vezes, essa nova mistura pode ser doce, como a adição de mel para o chá, mas às vezes até um pouco de resíduo pode talhar a mistura toda, como a adição de suco de limão ao leite. Devemos não só esvaziar as nossas xícaras, mas nos certificar que temos um recipiente totalmente limpo para que possamos saborear a verdadeira essência verdadeira do novo conhecimento.

Outra parte importante do tratamento da preocupação da mente de principiante é a dificuldade para se livrar do conceito de “já passei por isso” – no original: “Been There, Done That- que parece tão prevalente na sociedade de hoje. Pode ser verdade que você já conhece tal situação, e você pode vivido a mesma, mas talvez a sua concepção da realidade não era todo o conceito, ou “caso completo” – no original: “The Big Picture” – se assim preferir. Aqui está uma versão poética de outra famosa história que pode nos ajudar em nossa busca pela compreensão da mente de principiante.

A Essência de um elefante

Eram seis homens do Hindustão muitos interessados em aprender, que enxergariam o Elefante (embora todos eles fossem cegos) e que cada observação poderia satisfazer suas mentes.

O Primeiro aproximou-se do elefante, e caiu contra o seu lado amplo e robusto, assim começou a gritar: “Valha-me Deus! Mas o elefante é muito parecido com uma parede!”.

O segundo, sentiu o seu chifre e exclamou: “Oh! O que temos aqui, tão curvo e liso e afiado? Para mim está claro que esta maravilha de elefante é muito parecido com uma lança!”.

O Terceiro aproximou-se do animal, e toca com suas mãos a tromba, assim corajosamente falou: “Eu vejo”, disse ele, “O elefante é muito parecido com uma cobra!”.

O Quarto esticou a mão ansiosa, e tocou o joelho: “Essa maravilhosa criatura se parece mais é algo poderosamente simples”, disse ele, ” Está bastante claro que o elefante é muito parecido com uma árvore!”.

O quinto, que teve a chance de tocar a orelha, disse: “O homem mais cego daqui pode dizer que este se assemelha mais, negar o fato de que pode enxergar: este fabuloso elefante é muito parecido com um abanador!”.

O Sexto, mal havia começado a apalpar a criatura, que aproveitando a cauda balançando que havia atingido suas mãos. “Eu vejo”, disse, “O elefante é muito parecido com uma corda!”.

E assim esses homens do Hindustão debateram em som alto e por um bom tempo, cada um em sua própria opinião superior rígida e forte, embora cada um estivesse parcialmente correto, todos estavam errados!

John Godfrey Saxe (1816-1887).

Esta história está cheia de discernimento. Como seria o exemplo acima se fosse um único homem cego em seis ocasiões diferentes? Cada vez seu conceito de um elefante iria mudar, crescer e ser melhorado. No entanto, ele ainda teria mais a aprender sobre a verdadeira essência de um elefante. Mas se o nosso hipotético homem cego fosse interrompido após a primeira visita, “Já passei por isso“, seu conceito estaria preso a um nível inferior de compreensão. Ele deixaria escapar o “Caso Completo“.

Vou tocar em um elemento final do tratamento da “Mente de Principiante“, que é um tratamento do sentimento de admiração, um sentimento de entusiasmo e admiração ao aproximar-se ou re-aproximação de um objeto de investigação. Você pode aprender algo novo, mesmo que seja um assunto já explorado. Se você continuar procurando seu limite para ver algo novo, isto pode ser muito prazeroso, maravilhoso, e bacana.

Há muito mais para descobrir sobre a “Mente de Principiante“, mas teria que voltar a este “elefante” no futuro, porque o meu copo está cheio, e eu prefiro esvaziá-lo no ato beber todo seu conteúdo e saborear o seu sabor maravilhoso.

Para encerrar, gostaria de deixar uma citação do Grão-Mestre James Lacy: “O mais simples é o mais profundo“.

  • Felippe – Zeta

    Irado Balter !!!

    vou ler este livro…
    Abraço

  • http://www.andrefonseca.net Andre Fonseca

    Muito bom. parabens… Adorei este texto e diz muito sobre o momento que vivemos na TI. É hora de termos mentes de aprendiz para as coisas que estão surigndo

  • Carlos

    Legal. O livro não sei se vou comprar mas pensar posso dizer que vou.

  • Vinicius Cândido

    Show, gostei de mais da história!
    bastante reflexiva!
    Valeu!